O Papa encontrou-se esta quinta-feira com a sudanesa Meriam Yahya Ibrahim, condenada à morte no Sudão por ter abandonado o Islão e se convertido ao cristianismo. Francisco abençoou Meriam e agradeceu o seu “testemunho de fé”, informou o Vaticano.

O encontro ocorreu na Casa Santa Marta em clima de “grande serenidade”, informou o porta-voz do vaticano, padre Federico Lombardi. 

O encontro da sudanesa “por parte do Papa é um sinal de aproximação para todos aqueles que sofrem por sua fé e pela prática da fé. É um gesto que vai além do encontro e se torna um símbolo”, destacou Lombardi. 

Meriam agradeceu o “grande apoio e encorajamento dados pelas orações do Papa e de muitos outros crentes e pessoas de boa vontade”, diz a nota de imprensa da Santa Sé.

A sudanesa chegou esta quinta-feira a Roma num voo de Estado italiano acompanhada por seu marido e os dois filhos. Foi recebida no aeroporto pelo primeiro-ministro, Matteo Renzi, e sua esposa e ainda pela ministra italiana de Relações Exteriores, Federica Mogherini. 

Um processo que chocou o mundo
Meriam foi condenada à morte por se converter ao cristianismo e a 100 chicotadas por adultério, por ter casado com um cristão. O seu marido, Daniel Wani, tem dupla nacionalidade: americana e sul-sudanesa.

A condenação da justiça sudanesa por infidelidade ao Islão aconteceu em virtude da interpretação sudanesa da “sharia” (lei islâmica) vigente no país desde 1983, que proíbe as conversões para outras religiões.

Na época foi presa grávida juntamente com o seu filho de 20 meses, e deu à luz a uma menina na prisão. 

A sentença gerou críticas internacionais que levaram à libertação e ao cancelamento da pena em Junho passado. Depois, voltou a ser detida ao tentar deixar o Sudão.

Sudão terá aprovado a viagem de Meriam
Não foram divulgados detalhes sobre a sua viagem a Itália, mas um oficial sudanês afirmou que o governo aprovou a viagem. 

“As autoridades não a impediram de partir já que era sabido e foi aprovado com antecedência”, disse a fonte oficial à Reuters.

Meriam foi acompanhada no avião pelo vice-ministro de Relações Exteriores da Itália, Lapo Pistelli. No aeroporto de Ciampino, em Roma, disse que o país esteve em “constante diálogo” com o Sudão sobre o assunto, não dando no entanto mais detalhes.

Antes de deixar o Sudão, Meriam refugiou-se na representação diplomática americana depois ter sido detida após a sua libertação, quando tentava deixar o país, acusada de usar documentos falsos.

Fonte: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=156778

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